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Fisioterapeuta de Mato Grosso destaca atuação da profissão na saúde do homem

Câncer de próstata deve atingir quase 66 mil homens brasileiros nos próximos dois anos

Mylena Petrucelli
Comunicação Crefito-9

A Campanha Novembro Azul teve início na Austrália em 1999, com o movimento “Movember”, no intuito de despertar os homens para os cuidados com o próprio corpo e mudar a face da saúde masculina. No Brasil, a campanha foi trazida pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com a Sociedade Brasileira de Urologia, focada na detecção e prevenção do câncer de próstata.

 

 Para abordar o assunto, o Crefito-9 entrevistou Alberto Yassuo Yoshiara, Fisioterapeuta da Coordenadoria de Ações Programáticas e Estratégicas da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso, responsável pela Área Técnica de Atenção Integral à Saúde dos Homens. Confira!
Alberto Yassuo Yoshiara

  

1)      Com o início da campanha Novembro Azul, de conscientização sobre os cuidados com a saúde masculina, como podemos destacar o papel dos fisioterapeutas nesse contexto?

 

Alberto Yoshiara: O papel dos fisioterapeutas é muito importante, como de todos os profissionais de saúde. O importante é que possamos estabelecer o vínculo com a população masculina e direcionar o homem para os cuidados, seja exposição aos fatores de risco das doenças, quanto uma construção de uma masculinidade mais saudável, direcionando este homem ao cuidado. O homem também cuida da própria saúde e também das pessoas do seu entorno.

Como fisioterapeuta, antes das questões técnicas específicas, nós somos seres humanos, estabelecemos vínculos e relação com a sociedade nesse papel que temos que iniciar também. Temos uma função importante: somos pessoas esclarecidas, temos uma formação, temos um contato direto, estabelecemos vínculo com nosso paciente. É nossa função compreender, dialogar, ouvir e poder também montar o nosso conhecimento sobre todas essas questões.

  

2)      De que forma se dá a atuação da fisioterapia na prevenção ou tratamento do câncer de próstata ou outras doenças masculinas?

 

Temos que tentar cultivar com nossos pacientes, usuários dos nossos serviços, a elucidação, tirar aquela questão de eu estou responsabilizando meu paciente pelo cuidado, mas que eles possam entender que o cuidado precisa ser compartilhado. Não é um cuidado de responsabilidade só do paciente ou só do fisioterapeuta. Podemos trabalhar questões de promoção de saúde, questões que levem em consideração modos de vida mais saudáveis, que possam estabelecer benefícios no tocante às recuperações pré e pós-cirúrgica e que podem influenciar também no tratamento a posteriori reabilitação. Tanto o câncer de próstata, o câncer de pênis, o câncer de boca que são uma das vertentes atuais, tudo isso só vai poder ocorrer da melhor maneira possível se conseguirmos estabelecer esse vínculo primeiro como ser humano. Essa vai ser a fala transversal dentro desse Novembro Azul.

 

Novembro Azul imagem 

 

3)      Como estão atualmente os indicadores da saúde do homem? Quais dados são estratificados pela Secretaria de Saúde e o que revelam?

 

Sobre a questão dos indicadores de saúde do homem, é algo complexo porque a saúde tem situações multifatoriais, são condições específicas e ao mesmo tempo condições coletivas da sociedade. De modo geral, os indicadores têm apontado que mais homens estão dando atenção à saúde, mas continuam naquela linha de mortalidade maior que a mulher em todo o ciclo de vida.

 Os planejamentos têm sido com base na elucidação da política de adoção de uma cultura de masculinidade mais saudável, mais coerente, não violenta – porque os indicadores de violência têm aumentado enormemente – todos os dias temos visto a questão dos agravamentos de mortalidade tanto para o homem quanto para os outros membros da família, como, por exemplo, os feminicídios, utilização de álcool e outras drogas, saúde mental.

Temos muitas questões aumentando, principalmente por conta da pandemia, que tem gerado perda de capital, de recursos desses homens, a presença deles mais na casa sem preparo para a adoção de cuidados domésticos, cuidados com a criança. Os dados mostram que o homem morre mais não só dos cânceres, porém, são os agravos externos, como violências, acidente de trânsito, homicídios.

 

4)      Falando sobre a atual pandemia do coronavírus, isso interfere na prevenção já precária com que muitos homens lidam com sua saúde? Como o senhor vê a Campanha Novembro Azul no contexto da pandemia?

 

Sobre a relação da pandemia do coronavírus com a prevenção dos homens, algumas coisas podemos observar, ao menos em relação aos grupos que participo, que tem havido uma melhora. Apesar de serem bolhas, percebo que o lidar com o cuidado é uma preocupação constante, mas sabemos que a nossa cultura de criação da nossa sociedade é de separação de meninos e meninas com funções específicas e isso gera toda uma outra situação. Temos o Instituto Promundo que tem divulgado uma campanha chamada 50/50. Seria na medida em que as mulheres diminuam 50% de suas atividades de cuidado de casa e os homens aumentem 50% do cuidado doméstico isso acabaria dando exemplo para as crianças. Não tem isso da mulher ficar com a questão da cozinha ou da limpeza da casa, a criança vê que é comum como participante da casa que todos têm que participar, dá um exemplo mais saudável.

 

Outra questão que tem que ser elucidada é que a campanha Novembro Azul não é uma campanha originada pela saúde, é uma campanha que vem do exterior, da Austrália, que leva em consideração o combate ao câncer de próstata, que gera o movimento Movember, que tem como aspecto mudar a face da saúde dos homens, então tinha a ver com câncer, violência, autocuidado. Nós, da Saúde do Estado de Mato Grosso, acompanhamos o Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (Inca), nós aproveitamos o momento da campanha altamente divulgada, que já está na boca do povo, para poder também elucidar as questões da saúde geral e inserir o autocuidado com outras questões relacionadas à masculinidade, que é o principal fator de alteração do comportamento e da ação dos homens com relação à própria saúde, ao cuidar, e à saúde do próximo.

 

 

Novembro Azul Coffito

5)      Doenças cardiovasculares, diabetes e câncer são as mais comuns em homens? Com o passar do tempo, o senhor nota uma diferença no autocuidado? Para mais ou para menos?

 

As doenças cardiovasculares são uma das nossas principais preocupações. Fora os agravos externos, essas questões são de certa forma facilmente resolvidas com uma mudança de mentalidade. Se tivermos os aspectos da exposição aos fatores de risco, as doenças cardiovasculares, diabetes, cânceres, serão minimizados enquanto indicadores, haverá menos homens tendo óbitos ou aspectos de morbidade com o passar do tempo. Eu tenho visto uma melhora sensível, agora com a pandemia não temos uma noção de quanto isso pode impactar, sabemos que a relação com os acidentes de trânsito diminuiu bastante, mas a violência doméstica intrafamiliar aumentou. Com relação ao autocuidado, podemos dizer que temos mais homens se cuidando e cuidando dos seus companheiros e companheiras. 

 

6)      Como estão as atuais políticas públicas para a saúde do homem em Mato Grosso, especialmente para a população negra, a mais atingida pela pandemia e majoritária no total de habitantes do estado?

 

Essa questão das políticas de saúde do homem para a população negra são questões que entram naquele conjunto dos principais fatores que vemos até mesmo com relação à própria violência. O racismo, o machismo, a questão de gênero e a homofobia são questões patentes quando construímos uma masculinidade saudável. As políticas existem e nós temos nesse contexto muitas perdas com relação aos direitos sociais, porém, pensamos que também é nosso papel se capacitar, conversar, dialogar, quebrar esse muros e estabelecer pontes de uma maneira não-violenta.

Percebemos que está todo mundo com medo. Estamos com medo da violência, da perda de patrimônio, estamos sendo atingidos a todo momento pela pandemia, pela desinformação, se formos pensar como profissionais da fisioterapia que em primeiro lugar está o respeito ao próximo, não existe raça, não existe cor, temos que levar em consideração nossos privilégios, toda uma construção histórica com relação à mulher, à pessoa negra, aos direitos e todas as situações que atingem as pessoas. Se tivermos a consideração do outro como pessoa e não como opositor, como simplesmente alguém que não faz parte do nosso meio, um outro qualquer, teríamos a preocupação com a atenção de todas essas pessoas e temos que ver tudo isso.

 As políticas públicas são um jogo de forças entre pessoas que têm determinados interesses, determinadas necessidades e temos que ver tudo isso. A política está posta, existe uma necessidade do Estado, dos municípios e a necessidade individual de cada pessoa, que é o que buscamos equalizar.


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