VNI: Uma relação de confiança que salva vidas

Luiz Arthur Bandeira Duarte
Crefito 9

Conquistar o paciente é o primeiro passo para o cuidado do Fisioterapeuta.

A quem você confiaria a sua vida, o seu destino? Com a pandemia do Coronavírus, milhares de brasileiros aprenderam a confiar em um profissional que talvez não seja o primeiro a vir no pensamento. O Fisioterapeuta.
Talvez você tenha ouvido falar de Ventilação Não Invasiva, ou VNI. Provavelmente viu uma campanha para arrecadar máscaras de mergulho com o objetivo de tentar salvar mais vidas. E tenho quase certeza que já viu imagens de pessoas deitadas na cama de um hospital com uma máscara no rosto ou um tipo de capacete espacial na cabeça. Mas o que você talvez não saiba é que a VNI é uma das muitas ferramentas utilizadas pelo Fisioterapeuta.

A VNI é basicamente o uso de um equipamento para ajudar o paciente a respirar melhor, como um pulmão auxiliar, porém sem o uso do tubo. Isso significa que a pessoa realiza a VNI acordada, e que de maneira geral os efeitos negativos são menores, e daí a relevância que a técnica ganhou durante a pandemia.
Apesar dos grandes benefícios, o desconforto causado pela VNI é um dos grandes problemas enfrentados. Muitos pacientes tem dificuldades em utilizar a máscara que fica ‘assoprando’ no rosto, e sensações de falta de ar ou claustrofobia tornam mais difícil o emprego da técnica.
Justamente por isso a prática da VNI é, na relação entre profissional e paciente, uma prática de confiança. A entrega do paciente que acredita nas palavras e gestos do fisioterapeuta, e a conduta do profissional que está sempre presente e atento, geram a confiança necessária para a prática da VNI.
A ventilação mecânica não invasiva exige do Fisioterapeuta utilizar de todo o seu conhecimento para o manejo seguro do tratamento, que é uma série de ações que possibilitam a aplicação da técnica favorecendo a plenitude do tratamento.

E qual é o melhor meio para estabelecer um manejo seguro?

O primeiro ponto a ser observado seria a escolha ideal da interface, ou seja, escolher a máscara mais confortável ao paciente. Isso implica em ter paciência para identificar as particularidades de cada indivíduo, e dedicação para não desistir do processo de adaptação.
O segundo fator, que acredito ser o principal, é avaliar as condições psicológicas deste paciente e compreender seus medos e anseios. Um paciente internado em UTI requer maiores cuidados ao iniciar o tratamento devido sua fragilidade e preocupações. É um paciente psicologicamente abalado que exige do Fisioterapeuta, além do conhecimento, a habilidade de conquistar a confiança para que lhe seja entregue algo muito precioso: o destino do paciente.

Por trás dessa relação de confiança temos a tolerância que o paciente terá pela terapia, mas também sentimentos muito mais complexos, histórias pessoais, expectativas, famílias que aguardam o retorno seguro de um ente querido ao lar. Por isso a confiança que nos é depositada jamais deve ser perdida.
Quantas intubações premeditadas, riscos adquiridos e até óbitos não seriam evitados apenas na conquista do paciente? Observar e avaliar com calma e tolerância, saber enxergar seus limites, e seu feeling de decisão após real falha, esta que não seja por falta de confiança do paciente ao Fisioterapeuta, mas falha real que possa acontecer após uma tentativa acertada em toda sua plenitude e que depois de esgotadas todas as possibilidades, então sucumbir ao inevitável. Sem querer adiar por achismo, é claro. Durante a VNI é de vital importância a avaliação dos aspectos psicológicos e tolerância do paciente frente ao tratamento. Devemos inclusive solicitar ajuda de Psicólogo ou outros profissionais para intervir nos casos mais extremos.
E o terceiro fator a ser observado e não menos importante é a expertise do profissional Fisioterapeuta na adequação do paciente ao respirador, quando todo aspecto técnico profissional deverá ser usado para melhor adaptação do paciente.

A VNI que tanto ouvimos falar, portanto, não é uma técnica milagrosa, mas um tratamento que pode trazer muitos benefícios em alguns casos. É um tratamento que tem início no olhar atencioso, no toque firme e nas palavras do Fisioterapeuta que conquistam a confiança do paciente. Passa pela coragem do paciente em enfrentar as sensações desagradáveis, e principalmente, tem sempre a atenção integral do profissional que, do início ao fim, se compromete totalmente com a confiança que lhe foi depositada.

 

Artigo escrito por:

Luiz Arthur Bandeira Duarte
Fisioterapeuta - Coordenador da UTI Pediátrica do Hcanmt
Especializado em Terapia Intensiva Neonatal, Pediátrica e adulto
Membro da Câmara Técnica Respiratória Crefito 9 de MT


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